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Sabemos demais.

janeiro 19, 2017

Sabemos falar sobre amor muito bem.
Temos os melhores discursos sobre isto.
Falamos muito bem sobre se importar com o próximo.
Temos os melhores discursos sobre isto também.
Mas…

só isso.

Uma carta de amor em ódio.

julho 19, 2015

Estou cansado de sentir raiva.
Cansado de sentir ódio.
Cansado dos ódios alheios.
Cansado de atacar os outros.
Cansado de ver ataques.
Quando foi que esqueceram que seus tetos são de vidros também?
Não me lembro da vez que me disseram que eu não tenho pecado.
Atacam demais.
Demais são atacados.
Estou cansado da ira.
Até aonde o ódio irá?

Com barba ou sem barba? Não importa.

junho 26, 2015

Quando eu era criança, sonhava em ser velho, um pouco mais velho, sabe? Talvez, alcançar logo os meus 18 anos. Eu ficava ansioso por esse dia até que o dia chegou e não mudou muita coisa — ou simplesmente nada mudou —, só sentei e esperei o dia terminar. Quando era criança, sonhava em ter barba, tipo aquelas bem cheias mesmo, sabe? Eu odiava ver meu rosto pelado. Cultivei isso durante a minha adolescência até que consegui ter barba cedo; com os meus 15 anos eu já tinha barba e isso era sensacional para mim, pois a minha turma da escola não tinha, e eram todos menores do que eu. Naquela época, era sensacional isso.

As vezes, esquecemos o quão bom é ser criança, assim como esquecemos um monte de coisa. Parece que a minha geração, foi a geração que mais quiseram crescer, pois hoje vemos os adultos jogando vídeo game e as crianças nos computadores. Talvez me tornei tão saudosista por conta disso, porque quis pular uma fase da minha vida, que hoje não volta mais e acabo tentando reviver o passado hoje, passando a gilete no rosto. — Estranho ouvir isso de uma pessoa que odiava ver seu rosto pelado. Quem mudou, eu, ou o espelho? — Estou começando a crer que nossos sonhos não são para sempre.

Meu sonho subiu até o nono andar; enquanto eu subia o elevador eu me encontrei satisfeito em olhar minha imagem sem barba no espelho, daí percebi que a gente nunca sabe de nada. Alguns anos atrás eu odiava meu rosto sem barba, e hoje tanto faz. Enquanto pensarmos que sabemos de tudo, nossos sonhos sempre mudarão. Eu pensava que “desse jeito” era melhor, até ver que o jeito não importava mais, desde que me traga a paz.

Já que o ser humano não sabe de tudo mesmo, os nossos sonhos sempre mudarão, ou amadurecerão — se preferir esse termo.
Talvez, o que significava pra mim ser maduro, era a barba, hoje, ser maduro é saber que não sei de nada. Um dia você vai acordar e vai perceber que a maneira não importa, desde que a sensação seja a mesma.

Ela.

junho 22, 2015

Cada dia eu tenho mais certeza da minha vida junto à dela, cada dia me vejo mais longe da minha pra se encontrar com a dela.
Esse relato vem dos dias difíceis e problemáticos que tenho vivido e que ela se encontra do meu lado, quando choro ou quando me endureço, ela está lá.

Mesmo quando eu estiver sozinho, não sentirei falta de ninguém, pois ela estará lá.
Não é só porque sou novo que não tenho problema e não choro, ela é a prova dos bastidores da minha vida.
Enfim, ônibus faz a gente refletir muito, e me peguei perdido nesses pensamentos.

A amo e não tenho dúvidas disso, o que só quero agora, é ser o mesmo que ela é pra mim nos dias que ela precisar.
Meu porto seguro tem nome, e é o nome dela;

Elizabeth Silva.

Ventos e marinheiros

outubro 28, 2014

Estou me encontrando novamente nos dias recentes.
Muita coisa que passou na minha vida, tenho olhado pra isso tudo e me perguntado quais dessas coisas eu consegui deixar de lado para continuar em frente. E confesso que não são muitas.

Estou me encontrando novamente no dias recentes.
Ser quem eu sou, é uma coisa que está acontecendo naturalmente.
Aprendendo na prática, é o que tem pra hoje, e eu tenho buscado com força tudo aquilo que eu sempre quis fazer ou ter, e só agora tenho tido força pra gritar essas coisas.
Gritar o meu amor, gritar o meu ódio, gritar minha fraqueza e força.

A vida é curta demais para não ser quem eu sou, e curta demais, para não falar o que eu sinto.
Tenho aprendido que tudo o que faço, me representa, e que, é uma pequena expressão de quem eu sou. E eu sei da capacidade que tenho para ir além e de fazer coisas maiores do que eu mesmo, no qual seria uma grande representação de quem eu sou. Então faça.

Se estamos cansados das mesmas coisas vividas obrigatoriamente na nossa vida, paremos um pouco para refletir e nos perguntar se vale a pena estar onde estamos, fazer o que estamos fazendo, ou estar com a pessoa que estamos. Estou aprendendo a mudar. Estou sendo a mudança.

Estou me encontrando novamente nos dias recentes.
Estou me redescobrindo para uma vida inteira, e talvez, uma vida inteira me descobrirá.

Talvez, eu só esteja voltando para o lugar onde não deveria ter saído.
Talvez, eu só sai para ter certeza de que ali era o meu lugar.

Isto não é sobre ventos e marinheiros.
Isto é sobre eu percebendo que, não é sempre que você ama quem você ama, mas que no final, vai se dá conta que já passou uma vida inteira amando quem você ama.

Estou me encontrando novamente nos dias recentes.

Abajur Iluminado

fevereiro 21, 2013

Iniciando assim pensando em algo bom, ruim ou nem tão momentâneo, parece-nos incrível falar sobre o que não aparece no escuro. Assim como restos de comida estão sobrepostos sobre nossas cargas dentárias, há muitas coisas no escuro, muitas coisas a serem iluminadas.

Queremos saber onde está o que não está, nem mais aqui, nem embaixo da cama, nem na terceira gaveta do armário torto ou nas partituras sobre o piano empoeirado. Quando seu instrumento não é tocado como deveria, a música morre, e não consegue iluminar lá fora, pois ainda há muitas coisas no escuro, muitas coisas perdidas, precisando de luz. Quando seus olhos estão fechados, você pode ouvir a música iluminadora, e quando a música morre você ainda pode sentir, embora pareça difícil, embora esteja escuro, as notas ainda estão ali, em algum lugar, talvez úmidas ou encharcadas, há uma possibilidade de estarem geladas ou intocadas, talvez a Senhorita Clave de Sol já não encaixe perfeitamente ao nosso soprano, talvez não haja mais esperança, talvez seja a hora de congelar na escuridão, talvez seja hora de silenciar a alma, pois tudo que não é música, é silêncio.

E é no silêncio que obtemos a capacidade de ouvir nosso coração, no silêncio do quarto quase vazio de ar que os pensamentos surgem. E, fazem com que as batidas do coração que nos foi dado sejam preenchidas de notas que vão aumentando, como os tambores de uma bateria daquela música incrível, inspiradora, e encorajador, que nos faz prosseguir mesmo de olhos fechados.
Estamos aqui parados, e você nem mesmo esta para mim como uma luz amarela ou fraca, que pudesse iluminar meus pés, me deixando sair desta escuridão e achar a minha música, e achar a minha esperança. Estamos aqui, e nem ouvimos o nosso sussurro que também pode ser a música clamando pelo nosso socorro. Estamos aqui, e as lágrimas que vão cair ao chão podem ser o som que estamos procurando, não podemos ver, mas gosto de pensar que há galhos batendo na janela branca, que agora, já não tem mais cor, tudo perdeu a cor. E o nosso silêncio, agora, pode ser a nossa música, pode ser a nossa luz.
Neste quarto escuro, mesmo já acostumado com esta situação, esta cor, este silêncio; a presença de algo novo para tornar-nos diferente, seria incrível. Talvez uma luz vinda de um teto tangente, quem sabe? E enquanto a chuva se movimenta lá fora, estamos parados aqui, vamos juntar as mãos e andar devagar sobre o chão que estrala em meio às frestas frias. Podemos tirar as coisas pequenas para não tropeçarmos, vamos arrumar aquilo que não vemos, mas sabemos que está lá. Podemos tirar o medo, a solidão, podemos colocar as coisas no seu lugar, podemos jogar fora toda ausência de fé. E assim como o papel velho está para o lixo, nossa solidão está para o infinito.

Eu já posso sentir que há um espaço vazio e cômodo, podemos agora, nos prostrar sobre este chão frio com cera vermelha e pedir ao Abajur Iluminado que acenda em nós a chama que agora é cinza, que acenda em nós a vida, que renove a nossa fé, que nos faça ver, que nos faça perceber que mesmo este quarto vazio, e esta situação que, tornou-se tão amedrontadora não passam de um disco riscado diante Dele, do Abajur Iluminado.
Prostrados, o Abajur Iluminado nos ouve, e eu posso começar a ouvir a música, Ele está nos devolvendo nossas notas, Ele está voltando-se para nós. Há um calor cobrindo o ar fresco, há uma nova esperança, há uma luz que indica o caminho de saída, há uma força abrindo a porta. Podemos ir, podemos voltar às cores, podemos tocar o piano empoeirado e esquentar a água do café, podemos atar os nossos cadarços e colocar vestes limpas, podemos seguir em frente, o Abajur Iluminado nos salvou.

Texto criado em dueto com partes escrita por mim, e pela Ana Paula Melo, de Soledade – Rio Grande do Sul, em Agosto de 2011.

Ah, eu sinto muito blues

fevereiro 21, 2013

Quando lutamos contra nós mesmos, somos os únicos a colecionar feridas. As vezes pensamos que as coisas sempre vão ser do jeito que é, para sempre, e então, vem aquela agonia e tu se pergunta o que seria o “para sempre.” Fui exposto a sentimentos nos quais, pensava eu, que já estivesse acostumado, sendo que então, percebi o quando não estava. Já compus em vários refrões, que eu não sei cantar, e isso não é uma mentira, tento encontrar as vezes, palavras perfeitas, para expressar-me, sendo que muitas vezes, só quero um som que feche os meus olhos e lave-me por dentro, com o transbordar de lágrimas escorrendo dos meus olhos, descendo até a boca, e salgando o meu dia.

Já chorei demais durante alguns momentos da minha vida, já me afastei de pessoas, outras se afastaram de mim, algumas conheceram a morte, alguns momentos deixaram de fazer sentido e outras arrancaram-me lágrimas com tanta força, que nem para trás olharam. E tudo isso, não vejo como maiores cicatrizes, pois, as lágrimas limpam. Mas, hoje que eu decidi segurar o choro, e trancar meu peito, a ferida torna-se maior e mais profunda, do que quando tu canta um refrão que sai da tua boca em gritos, destravando teu peito das dores e te lavando.
Encontro-me em um olhar infinito, sem reação enquanto as horas passam, e tento olhar pela janela, e encontrar respostas, e através da janela, tento só mais uma vez, olhar nos teus olhos com um olhar verdadeiro e cheio de amor, que, já não encontro tais qualidades, já algum tempo em nossos olhares.
– Sentimento desconhecido e distante do que sempre sonhei para mim, para nós. –

A vida passa, nos ensina, e algumas pessoas aprendem, outras não. Não sei o que a vida quer me ensinar. Não sei porque meu solo anda trêmulo ultimamente. Não sei porque resolvemos desobedecer as leis que nós mesmo criamos para viver, a lei do “nunca dizer adeus”, e estou lutando como um guerreiro medieval, contra eu mesmo, contra as leis que construí, contra o romance que sonhei. Estou deixando doer as feridas. Talvez, alguns ensinamentos recentes, me incentivaram a resistir a dor, e nem sempre pensar no conto de fadas da vida contada. Espero um dia, poder olhar nos teus olhos, com verdade e com amor de novo, espero um dia parar de lutar contra eu mesmo, pois já cansei dessa luta.
A vida nos ensina, e as vezes gente aprende. Só peço a alguém, que por favor, me ajude, que me salve. Por que tá foda.