Relembrando o “quando”

novembro 20, 2013

Revi algumas coisas nesta noite que me fizeram pensar mais sobre mim, mais sobre… quase tudo. E talvez eu não seja um cara tão bom assim.
Me sinto preso em meus medos, já machuquei o interior de alguém, iludi, a abandonei por medo e não voltei atrás.

Queria te perguntar “como é que vão as coisas?” E ouvir em seguida toda a tua explicação do que fez durante o dia ou de como tu estás.
Eu relembrei de quando eu ainda era inteiro, de quando não faltava pedaços de mim e ainda tínhamos um ao outro, eu sei que somos infinitos, mas há sujeira debaixo do tapete hoje. Coisas mal resolvidas e doloridas que nem sei como mexer nisso, pra mim é difícil. Queria te ver hoje à noite.

Na verdade, queria mesmo é perguntar “como é que tu tá depois de tudo isso?” Eu queria só te ajudar limpar a casa, tirar toda essa sujeira, e te deixar entrar novamente. Mas, não tenho mais como te perguntar se precisa de algo, te sinto tão longe, quase desaparecendo no horizonte mesmo. Nossa casa está suja, precisamos limpá-la. Como deixei toda essa sujeira se amontoar?

Relembrei de quando eu tinha vontade de te abraçar mas tinha vergonha, então só um breve beijo na lateral já bastava na despedida, o abraço poderia esperar mais.
A vida faz isso mesmo, esse negócio de relembrar as coisas, de querer voltar atrás e etc. Isso acaba provando mais uma vez o quanto a vida é infinita, tudo acaba voltando: a saudade, o arrependimento e a dor.

Alguns anos atras, estávamos aqui, tão perto, podia sentir tua respiração e ouvir tua voz, nossa distância era de um palmo. Hoje essa distância é difícil ser medida, sei que foi eu, eu sei.
E eu não posso dizer que eu tentei, porque eu não tentei, o medo acaba causando a exaustão física, e me ajudaria se você olhasse para mim, tenho dificuldade. É como se nós tivéssemos em um elevador calados como todo mundo se cala ao entrar no elevador esperando ansiosamente pela parada, pra cair fora. Fique, vamos limpar a casa antes de sair.

Vou tirar todas as coisas de casa, jogar fora toda a mobília e afins e deixarei vazio, só com grande espaço da sala, e escreverei nas paredes todos os meus pedidos de desculpas, todos o versos que escrevi e todas as canções não finalizadas. E ali terás um pouco de mim em palavras e frases na parede da sala, talvez seja mais fácil do que falar.

Depois que terminarmos a limpeza, mobiliaremos a casa novamente.

Melancolia inversa.

julho 30, 2013

Tantos problemas e desilusões. Vivendo em um caminho que eu pensava que só existia em contos ou filmes de drama. As vezes tenho que parar e pensar pra tentar lembrar quem eu era, quem me tornei e o que serei, pois não respiro mais o mesmo ar, e nem mais os mesmo pensamentos ingênuos, só as mesmas dores.

Alguns amigos que se foram sem deixar pista de onde iriam… talvez não quisessem que eu as procurassem porque sabiam que eu iria mesmo. Apenas se foram deixando o copo meio cheio do drink. Eu me pergunto até hoje se foi culpa minha, se foi eu mesmo o motivo da minha mudança, o motivo das minhas dores.

Sabe o que eu quero? Quero culpar-te por tudo que acontece comigo. Quero culpar-te se eu errar ou machucar e iludir alguém, sim, eu quero culpar-te hoje se eu bebo ou se não confio mais nas pessoas ou naqueles que se diziam amigos. Culpa tua.
Dói eu perceber que não sou mais quem era, mas quero culpar-te se disserem que eu mudei. Aliás, tu tiraste quase tudo que era de bom em mim, agora me faça acreditar novamente, faça voltar a esperança, quem fará? Culpa tua.

Felizes o que não te conheceram ainda. Felizes são os ingênuos do amor, pois ele vivido errado, torna-se corroível. Quem dirá com palavras o amor verdadeiro?
Que o amor seja duro, forte, sem o arco-íris ou borboletas da ilusão, mas com céu de sol entre nuvens, maduro e com dor.
Culpo-te para amenizar minha carga, pois se ainda não achei o modo de curar minhas feridas, esquivo-me pelo menos das culpas que causaram as feridas.

Ainda estou sem um novo refrão, e confesso que a culpa é minha, tudo foi eu, eu sei. Só que, culpar-te pela minha solidão, me dá forças pra esquecer-te assim como tu me esqueceu, assim como amigos se foram, e assim como o vinho acabou.

Este lugar está vazio, sem eu, sem você e sem os supostos amigos. E eu culpo-te pra poder sobreviver.

Culpo-te por eu gostar de ser quem eu sou hoje e não gostar mais de você.

Carpie diem.

junho 3, 2013

Depois do nascimento, a tendência é a morte.

Já parou pra pensar nisto? Enquanto não houver nascimento, não haverá morte. Sobre a morte, alguns acreditam que é a única certeza que temos, e talvez não seja mentira, pois a sequencia indiscutível é: nascer, viver, e morrer. É algo verdadeiro, só que muitos não sabem a etapa do meio: viver. E muitos não sabem ou não acreditam que a etapa “viver” é a mais importante, pois o viver determinará o caminho de volta pra casa após a morte, ou ela te trará a morte mais cedo.

Aproveite o momento, tenha amigos, seja família, aprenda ouvir os outros, fale, dê exemplo, se importe, cuide, ame, tenha raiva, mas não faça o que ela manda, erre, acerte, mude, seja o mesmo, faça pouco, faça muito, construa, destrua, abra portas, feche outras, sorria, chore, beba, coma, leia, pratique, doe, invente, ande de bicicleta, ande a pé, tenha relacionamento, ore, cante, desafine, aprenda algo novo, acomode-se, grite, fale baixo, peça, não roube, se roubar, roube o coração de quem tu amas, seja fraco, seja forte, medite, se distraia, tenha fé, reze, confie, desconfie, tenha medo, enfrente-os, prometa, cumpra, saia, volte pra casa, sonhe, faça acontecer, renasça, viva e morra.

Salve o amor. Ou melhor… deixe-o salvar-nos.

A Bailarina e o Sonhador

maio 24, 2013

Ela está alguns pequenos quilômetros de distancia de mim, mas, com sua frieza e desdém parece uma distância impossível de ser alcançada.

Já escrevi refrões e canções, expressei-me em músicas que borrifavam notas e harmonias no ar, e que me faziam ver e sentir a velocidade em que eu estava voando em meus pensamentos e sentimentos, e que futuramente poderiam me derrubar e trazer feridas e feridas profundas.

Já fiz muitos refrões e canções, hoje, sequer consigo escrever uma estrofe para uma nova canção.

Falhei em esperar muito para estender minha mão pra te conduzir à uma dança a dois. Se tu soubesses da minha insegurança que eu sentia de errar na dança e de tu me descartar por ser uma belíssima bailarina e dançarina de primeira, enquanto eu, um mero sonhador das galáxias em profundo amor com o universo verdadeiro do romance e suas frustrações, talvez teria me dado uma segunda chance à esta dança a dois.

Tenho vivido menos, estou cansado. O romance e o amor é para poucos, é para os que tem paciência, e para os que não tem medo, pois são perigosos. Em riscos estão os que tentam vivê-los. Quando menos tu esperar, apenas um de ambos, estará se rendendo ao amor, apenas um, estará se humilhando e pedindo perdão.

Trouxas somos eu e vocês. Ninguém nos obriga a viver o amor, mas gostamos de tentar vivê-lo. Ninguém nos obriga a reviver tais dores, mas parece que gostamos de juntar nossos pedaços toda noite. E é o que mais uma vez estou fazendo.

Aqui estou eu, tentando salvar o romance e fazer acontecer nossa dança. Aqui estou eu, me humilhando novamente. Se dependesse de mim, estaríamos longe daqui, num universo só nosso. Eu poderia estar escrevendo sobre várias coisas, mas escrevo sobre você, sobre mim, sobre todos nós.

O amor sempre ficou quieto, no canto dele. A gente que é idiota e vai despertá-lo do seu sono, mas somos idiotas felizes, pois gostamos dele mesmo ele nos ferindo as vezes.

O romance e o amor, são fortes e resistentes, mas podem se afogam com um tempo também. Se um apenas, cuida, cultiva, se humilha e dá sua vida para salvá-lo, ele fica pesado para salvá-lo sozinho, então ele se afoga e morre. Cuidado.

Quando tu encontra o amor, pode acontecer que floresça e viva eternamente, ou pode também, simplesmente dar merda.

Comer, perdeu a graça e seu sabor. Estar acompanhado com outros, sem tua presença ficou sem harmonia. Zapear canais repetidamente no controle da Tv, virou meu passa-tempo. Me chamam pelo meu nome e demoro responder perdido em meu silêncio. Olham para mim e perguntam-me se estou bem. Minhas feridas estão expostas. Meu silêncio está visivelmente gritante… e eu sinto tua falta.

Quem decide vivê-lo, corre perigo. Estou em apuros então.

Felizes os ingênuos, os burros e os filhos-da-puta.Pois estes, andam longe deste perigo.

Furacão

maio 19, 2013

Um sonho distante que me consumiu inteiramente. Um furacão invadindo minha casa e destruindo tudo que cruzava seu caminho, eu o cruzei e sobrevivi. Mas, nunca mais fui o mesmo.

As coisas que me marcaram, hoje, fazem sentido. Quem causou esse furacão de sentimentos e emoções, foi eu. Trago em meu peito, um coração com suas partes faltando, nunca mais fui o mesmo. O que eu sempre lutei pra ter, parece que não vale mais.

Tento recolar os meus pedaços, remendar meu coração longe da tua presença. Tento não falar mais disso, nem de ti, mas no fim sempre tenho algo a dizer.

Faz tempo que a noite fria e silenciosa anda sendo minha companhia, e mais uma vez esse furacão que vem quebrando e destruindo tudo, tudo em mim, aparece. Tentei fechar os olhos e abri-los novamente para ver se todo esse drama desaparecia, mas não era um sonho mais.

Preciso pegar a estrada, vou dar as costas e andar, crescer e mudar. Vejo o céu se fechar, e lá vem o furacão de novo. Preciso dizer adeus e partir, porque aqui não é mais meu lugar.
Se eu ficar, o furacão te atingirá porque ele já está fazendo parte de mim e é disso que preciso me livrar. Isto é uma luta por controle, isto é uma luta por superação. Desculpe todo este transtorno que te causei, deixo-te agora com um ultimo beijo. Preciso ir, desculpe.

A culpa não é tua… o culpado sou eu.

Ultimo vinho para o adeus

maio 5, 2013

O meu coração
Cansou de navegar
No mar de ilusões

Dificil é encontrar
Um alguém que possa nos salvar
Neste naufrágio não posso continuar

Ainda estou aqui
Não fuja mais de mim

Quando me perdi
Me importei com você
Mas tardei e te perdi

Eu quero te esquecer
Mas pra te esquecer
Preciso me lembrar

Ainda estou aqui
Mas preciso partir

Eu não quero mais
Vou deixar tudo pra trás
Pois não importa mais
Tudo que eu fizer não vai fazer tu voltar atrás

Juntando cada pedaço deste corpo meu
Foi que eu amanheci

Ainda estou aqui
Não fuja mais de mim

Ainda estou aqui
Mas preciso partir

Sente aqui neste sofá
Pra tomarmos o ultimo vinho
Do nosso amor

E dizer adeus.

Cartas para esquecer.

abril 9, 2013

Hoje estou num nível de sentimento onde não estou importando-me com quase ninguém. Meio estranho isso, eu sei… mas, não que eu deixei de gostar das pessoas, de olha-las com olhos de amor. Não que eu não ame mais ninguém ou que esteja em depressão, não é isso…
Certas coisas aconteceram, e me auto permiti respirar bem fundo, levantar a cabeça, me sentir bem e seguir em frente. Porque, se eu não me permitir que essas coisas aconteçam, se eu não buscar essa força de vontade dentro de mim para ter a minha paz e um ar para respirar, ninguém fará por mim.

Percebo que estou um pouco mais interessado neste meu momento de satisfação/alívio/paz ( e talvez felicidade ) do que interessado nas coisas dos outros. – um pensamento egoísta, talvez –
Mas, apenas estou aproveitando este meu momento que estou tendo até então, porque, talvez amanhã todas essas coisas poderão ir embora novamente, e as velhas coisas voltarem. Logo, aproveito o agora.

E então, permanecerei aqui, com meu ar e a satisfação e paz nessas pequenas coisas que trouxeram o alívio, que trouxeram perda de memórias não mais interessantes e nem um pouco saudável, que trouxeram esta paz com paradeiro desconhecido. E aprendo então sozinho, a superar as perdas e as esperas vazias.
E por isso, que eu aproveito este momento não “perdendo tempo” com ninguém, ou com problema dos outros, apenas me perdendo, em meu próprio momento.

Precisei respirar bem forte este ar deste lindo farol situada na direção do horizonte, e esquecer de tudo ( e de você ) e me permiti encontrar essa paz desconhecida que me trouxe coragem.

E a vida é infinita. Então, me esqueça… eu já te esqueci.

Portões de casa, as esquinas e avenidas da vida.

março 12, 2013

Lembro-me das canções que minha mãe cantava para mim na hora de dormir.

Já fui pequeno, e já ouvi muitas canções. Lembro das coisas e lugares que me davam medo na minha infância. Por essas esquinas e avenidas da cidade movimentada, atravessei-as na segurança de mãos de uma guerreira trabalhadora, senhora minha mãe.

A infância foi passando, as roupas de guri, já não cabiam mais. Pêlos foram crescendo, minha visão por cima dos carros estacionados no meio-fio para enxergar os carros por trás destes que por vir estavam, já era outra. E a mão que me guiava pela travessia das ruas, já não havia mais, porque, obrigatoriamente o tempo havia passado, e as tomadas de casa já não estavam mais protegidas, pois, a consciência havia nascido.

Lugares onde eu nunca pude ir, já não havia mais os portões de casa para me impedir. Na minha queda de Skate, havia um choro muito breve, só uma gota, talvez, acompanhado de um curativo feito por mim mesmo, e mais um aprendizado: que eu deveria tomar mais cuidado na próxima vez, e de que, na próxima, teria que fazer a manobra sem cair novamente.

Vivi e aprendi dentro de casa, na segurança e aprendizado da senhora minha mãe. Minha infância foi rápida, tive que crescer de pressa. E outras coisas, aprendi e vivi do lado de fora da casa, do outro lado dos portões.

O ser humano, é curioso, e tenta buscar respostas e tenta criar seu universo e suas leis. Quando chega a hora de atravessar o portão de casa sozinho, para conhecer o desconhecido, precisamos tomar cuidado para não entrar ou bater no portão dos outros.
Do outro lado do portão, é onde muitos sempre sonharam estar. E é lá, que a gente conhece os amigos e inimigos. É lá, que a gente abraça algumas dores, tristezas, marcas e alegrias. E é lá, que alguns, ficam esperando, esperando e esperando, pelo o quê? eu não sei. Mas ficamos.

Podemos atravessar os portões de casa, mas, nunca esquecer que, do outro lado, não haverá mais as tomadas protegidas, e nem uma mão para guiarmos na travessia das esquinas e avenidas.

Um dia, eu já sabia que atravessaria esse portão. E foi lá fora, que encontrei algumas coisas, alguns amigos passageiros e outros eternos. Momentos e momentos. Mas, nem tudo o que vi deste outro lado do portão, foi o que eu procurava.

Ainda estou à procura.

Cansei. Agora encontre-me

fevereiro 27, 2013

Sentado nesta noite, neste farol, tentei buscar as palavras certas que encomendassem o meu destino. Tentei escrever sobre ti, mas desisti.
Neste Farol, já perdi muito meu tempo pensando em ti. Me perdendo em ti. Trazendo minhas lembrança desses olhos teus. Passei muito tempo meu no teu tempo. Me perdi e agora te perdi. Me pergunto se tudo valeu a pena: meu tempo, minha vida, meu pensar, minhas perdas, meu cuidar de ti e outras mil.

Será que tu pensou em mim algum dia? Será que perdeu teu tempo comigo? Será que tu construiu alguma coisa em ti, sobre mim?

Ainda encontro-me perdendo meu tempo em ti. Ainda encontro-me pensando em ti. Ainda espero-te. Ainda encontro-me querendo ser teu protetor. E sim, ainda estou aqui, nesse Farol, esperando que tu vejas minha luz que está quase se apagando.

Tentei escrever sobre ti, mas desisti. Isto não é sobre tua pessoa ou luz de farol. Isto é sobre eu tentando cantar outros refrões.

Ah, só queria alguém pra abraçar
Mas tu já se foi, e esqueceu a porta aberta

Feche-a, por favor
pra eu não te ver indo embora

– Parte em Itálico, é trecho da música “A porta ( Histórias imperfeitas )” de minha autoria, disponível no Soundcloud.

Abajur Iluminado

fevereiro 21, 2013

Iniciando assim pensando em algo bom, ruim ou nem tão momentâneo, parece-nos incrível falar sobre o que não aparece no escuro. Assim como restos de comida estão sobrepostos sobre nossas cargas dentárias, há muitas coisas no escuro, muitas coisas a serem iluminadas.

Queremos saber onde está o que não está, nem mais aqui, nem embaixo da cama, nem na terceira gaveta do armário torto ou nas partituras sobre o piano empoeirado. Quando seu instrumento não é tocado como deveria, a música morre, e não consegue iluminar lá fora, pois ainda há muitas coisas no escuro, muitas coisas perdidas, precisando de luz. Quando seus olhos estão fechados, você pode ouvir a música iluminadora, e quando a música morre você ainda pode sentir, embora pareça difícil, embora esteja escuro, as notas ainda estão ali, em algum lugar, talvez úmidas ou encharcadas, há uma possibilidade de estarem geladas ou intocadas, talvez a Senhorita Clave de Sol já não encaixe perfeitamente ao nosso soprano, talvez não haja mais esperança, talvez seja a hora de congelar na escuridão, talvez seja hora de silenciar a alma, pois tudo que não é música, é silêncio.

E é no silêncio que obtemos a capacidade de ouvir nosso coração, no silêncio do quarto quase vazio de ar que os pensamentos surgem. E, fazem com que as batidas do coração que nos foi dado sejam preenchidas de notas que vão aumentando, como os tambores de uma bateria daquela música incrível, inspiradora, e encorajador, que nos faz prosseguir mesmo de olhos fechados.
Estamos aqui parados, e você nem mesmo esta para mim como uma luz amarela ou fraca, que pudesse iluminar meus pés, me deixando sair desta escuridão e achar a minha música, e achar a minha esperança. Estamos aqui, e nem ouvimos o nosso sussurro que também pode ser a música clamando pelo nosso socorro. Estamos aqui, e as lágrimas que vão cair ao chão podem ser o som que estamos procurando, não podemos ver, mas gosto de pensar que há galhos batendo na janela branca, que agora, já não tem mais cor, tudo perdeu a cor. E o nosso silêncio, agora, pode ser a nossa música, pode ser a nossa luz.
Neste quarto escuro, mesmo já acostumado com esta situação, esta cor, este silêncio; a presença de algo novo para tornar-nos diferente, seria incrível. Talvez uma luz vinda de um teto tangente, quem sabe? E enquanto a chuva se movimenta lá fora, estamos parados aqui, vamos juntar as mãos e andar devagar sobre o chão que estrala em meio às frestas frias. Podemos tirar as coisas pequenas para não tropeçarmos, vamos arrumar aquilo que não vemos, mas sabemos que está lá. Podemos tirar o medo, a solidão, podemos colocar as coisas no seu lugar, podemos jogar fora toda ausência de fé. E assim como o papel velho está para o lixo, nossa solidão está para o infinito.

Eu já posso sentir que há um espaço vazio e cômodo, podemos agora, nos prostrar sobre este chão frio com cera vermelha e pedir ao Abajur Iluminado que acenda em nós a chama que agora é cinza, que acenda em nós a vida, que renove a nossa fé, que nos faça ver, que nos faça perceber que mesmo este quarto vazio, e esta situação que, tornou-se tão amedrontadora não passam de um disco riscado diante Dele, do Abajur Iluminado.
Prostrados, o Abajur Iluminado nos ouve, e eu posso começar a ouvir a música, Ele está nos devolvendo nossas notas, Ele está voltando-se para nós. Há um calor cobrindo o ar fresco, há uma nova esperança, há uma luz que indica o caminho de saída, há uma força abrindo a porta. Podemos ir, podemos voltar às cores, podemos tocar o piano empoeirado e esquentar a água do café, podemos atar os nossos cadarços e colocar vestes limpas, podemos seguir em frente, o Abajur Iluminado nos salvou.

Texto criado em dueto com partes escrita por mim, e pela Ana Paula Melo, de Soledade – Rio Grande do Sul, em Agosto de 2011.