Relembrando o “quando”

Revi algumas coisas nesta noite que me fizeram pensar mais sobre mim, mais sobre… quase tudo. E talvez eu não seja um cara tão bom assim.
Me sinto preso em meus medos, já machuquei o interior de alguém, iludi, a abandonei por medo e não voltei atrás.

Queria te perguntar “como é que vão as coisas?” E ouvir em seguida toda a tua explicação do que fez durante o dia ou de como tu estás.
Eu relembrei de quando eu ainda era inteiro, de quando não faltava pedaços de mim e ainda tínhamos um ao outro, eu sei que somos infinitos, mas há sujeira debaixo do tapete hoje. Coisas mal resolvidas e doloridas que nem sei como mexer nisso, pra mim é difícil. Queria te ver hoje à noite.

Na verdade, queria mesmo é perguntar “como é que tu tá depois de tudo isso?” Eu queria só te ajudar limpar a casa, tirar toda essa sujeira, e te deixar entrar novamente. Mas, não tenho mais como te perguntar se precisa de algo, te sinto tão longe, quase desaparecendo no horizonte mesmo. Nossa casa está suja, precisamos limpá-la. Como deixei toda essa sujeira se amontoar?

Relembrei de quando eu tinha vontade de te abraçar mas tinha vergonha, então só um breve beijo na lateral já bastava na despedida, o abraço poderia esperar mais.
A vida faz isso mesmo, esse negócio de relembrar as coisas, de querer voltar atrás e etc. Isso acaba provando mais uma vez o quanto a vida é infinita, tudo acaba voltando: a saudade, o arrependimento e a dor.

Alguns anos atras, estávamos aqui, tão perto, podia sentir tua respiração e ouvir tua voz, nossa distância era de um palmo. Hoje essa distância é difícil ser medida, sei que foi eu, eu sei.
E eu não posso dizer que eu tentei, porque eu não tentei, o medo acaba causando a exaustão física, e me ajudaria se você olhasse para mim, tenho dificuldade. É como se nós tivéssemos em um elevador calados como todo mundo se cala ao entrar no elevador esperando ansiosamente pela parada, pra cair fora. Fique, vamos limpar a casa antes de sair.

Vou tirar todas as coisas de casa, jogar fora toda a mobília e afins e deixarei vazio, só com grande espaço da sala, e escreverei nas paredes todos os meus pedidos de desculpas, todos o versos que escrevi e todas as canções não finalizadas. E ali terás um pouco de mim em palavras e frases na parede da sala, talvez seja mais fácil do que falar.

Depois que terminarmos a limpeza, mobiliaremos a casa novamente.

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