Portões de casa, as esquinas e avenidas da vida.

Lembro-me das canções que minha mãe cantava para mim na hora de dormir.

Já fui pequeno, e já ouvi muitas canções. Lembro das coisas e lugares que me davam medo na minha infância. Por essas esquinas e avenidas da cidade movimentada, atravessei-as na segurança de mãos de uma guerreira trabalhadora, senhora minha mãe.

A infância foi passando, as roupas de guri, já não cabiam mais. Pêlos foram crescendo, minha visão por cima dos carros estacionados no meio-fio para enxergar os carros por trás destes que por vir estavam, já era outra. E a mão que me guiava pela travessia das ruas, já não havia mais, porque, obrigatoriamente o tempo havia passado, e as tomadas de casa já não estavam mais protegidas, pois, a consciência havia nascido.

Lugares onde eu nunca pude ir, já não havia mais os portões de casa para me impedir. Na minha queda de Skate, havia um choro muito breve, só uma gota, talvez, acompanhado de um curativo feito por mim mesmo, e mais um aprendizado: que eu deveria tomar mais cuidado na próxima vez, e de que, na próxima, teria que fazer a manobra sem cair novamente.

Vivi e aprendi dentro de casa, na segurança e aprendizado da senhora minha mãe. Minha infância foi rápida, tive que crescer de pressa. E outras coisas, aprendi e vivi do lado de fora da casa, do outro lado dos portões.

O ser humano, é curioso, e tenta buscar respostas e tenta criar seu universo e suas leis. Quando chega a hora de atravessar o portão de casa sozinho, para conhecer o desconhecido, precisamos tomar cuidado para não entrar ou bater no portão dos outros.
Do outro lado do portão, é onde muitos sempre sonharam estar. E é lá, que a gente conhece os amigos e inimigos. É lá, que a gente abraça algumas dores, tristezas, marcas e alegrias. E é lá, que alguns, ficam esperando, esperando e esperando, pelo o quê? eu não sei. Mas ficamos.

Podemos atravessar os portões de casa, mas, nunca esquecer que, do outro lado, não haverá mais as tomadas protegidas, e nem uma mão para guiarmos na travessia das esquinas e avenidas.

Um dia, eu já sabia que atravessaria esse portão. E foi lá fora, que encontrei algumas coisas, alguns amigos passageiros e outros eternos. Momentos e momentos. Mas, nem tudo o que vi deste outro lado do portão, foi o que eu procurava.

Ainda estou à procura.

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Uma resposta to “Portões de casa, as esquinas e avenidas da vida.”

  1. Leonardo Saddock Says:

    Excelente man, parabéns !

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